
Num estilo ligeiro e claro, mas sempre
profundo, o autor oferece-nos, numa ficcionada "Hibernolândia",
atacada por uma "moléstia" que todos padecem mas de que raros
se dão conta, um espelho daquilo que temos até hoje feito do
mundo e de nós mesmos.
Tudo assim decorre nesta "Hibernolândia" que o leitor rapidamente
identifica. Tudo assim decorre até que algo acontece: alguém
começa a dar-se conta da inversão em que tudo anda. E aí
o enredo conhece divertidas peripécias à medida que na doença
geral se inocula e propaga um vírus muito particular: o vírus
da consciência e da cura, o vírus do restabelecimento da saúde,
o vírus do despertar.
O Cântico dos Melros desperta
para uma situação e aponta um horizonte de busca, mas não
pretende, felizmente, dar-nos mais uma verdade já feita e pronta a
consumir. Nesse sentido, responsabiliza-nos por encetarmos a mesma demanda
que é a do autor.
(
)
Retirado do Prefácio do Professor Paulo Borges - Filosofo e Presidente da União Budista Portuguesa
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